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1997 foi um ano negro para mim, voltei a Marrocos com alguns amigos para fazer algumas das pistas que tinha em mente havia já algum tempo. De Missour para Talsinnt, B-Tajjite, Tazouguerte, Meski, Erfuod, Erg-Cherbi depois Alnif, Tinherir, Tamtouchte, Imilchil, Lac-Tislit, El-Ksiba, Kasba Tadla. Tudo correu bem até Tinherir, até um encontro insólito com o famoso José Megre e o seu grupo de jeeps Nissan sobre as pistas, onde os top de gama julgavam ser os reis do mundo. “Alguns dos participantes”, não José Megre, fizeram até uns comentários um pouco desgradavéis sobre o nosso grupo, humildmente expliquei-lhes em bom português que o bom tocador, toca em qualquer viola, mas aqueles que só sabem tocar em violas boas, são duvidosos, porque normalmente até nem sabem tocar, ou seja sem o famoso guia muitos daquele grupo, de roupas Camel, gps e carros top de gama com ar condicionado, não resisitriam sózinhos ou mesmo não saberiam como ultrapassar certas situações. Mas até que foi engraçado, pois aquilo era apenas insegurança, gostaria de lembrar a todos os que são guiados, o quanto duro é o trabalho de guia, muitas vezes não notam o imenso trabalho de bastidores, que existe antes da realização de qualquer expedição, especialmente no capítulo da segurança. Voltando á nossa expedição, foi já na pista a subir para o médio Atlas, que parti a caixa de velocidades do meu Land Rover, este acontecimento viria a dar lugar mais tarde, a uma experiência muito positiva. Como acredite as más experiências têm sempre muito de lições de aprendizado, neste momento estou atrás de outro jeep de regresso a Tinherir onde me esperam algumas lições para o futuro. A primeira, a minha total desconfiança em relação aos mecânicos locais, na altura um individuo que até falava um pouco de português, devido ao facto de ter trabalhado na Land Rover em França com um português, disse-me que por 400dhm me arranjava o veículo. Recusei, mas os meus amigos queriam fazer a pista, e sem mim restava-lhes seguir por estrada, sucumbi á sua pressão e lá pus o meu Landie na garagem. Eram uns 6 ou 7 desmontaram tudo o que podiam mas pelo lado errado, pois o jeep tem uma barra soldada na parte de baixo para proteger o cartér da caixa e eu que já a havia desmontado várias vezes sabia que não era possível, abreviando voltaram a colocar tudo no lugar sem fazer nada do nada, como sei que a vida é difícil para todos dei-lhes 200dhm por algo que correu tremendamente mal. De bom pude perceber que a nossa assistência em viagem, funciona ás mil maravilhas, num espaço de tempo de 2 dias arrajaram tudo e como não queria voltar de avião por causa do meu cão, alugaram um jeep para me trazer á fronteira com um amigo e o meu rottweiller, já em Espanha um táxi trouxe-nos até casa, o jeep chegou uma semana depois como o tinha deixado e completo sem faltar nada. A segunda parte boa, foi de que um amigo que tenho na cidade desde do princípio, convidou-me para jantar em sua casa da família com o sócio, quase me forçaram a aceitar 300 contos(1500E) para voltar a casa, foi um momento muito intenso e especial pois demonstrou, que perante o respeito que demonstrámos, os outros confiam em nós, somos amigos até hoje, porque eles sabem que eu tenho, uma coisa que hoje parece não ter valor no nosso mundo, mas para mim é tudo Palavra de Honra, só me deixaram sair, quando lhes mostrei que tinha dinheiro, mais que suficiente para voltar. E assim meus amigos, termine mais uma das muitas histórias da minhas vivências em Marrocos, obrigados pela vossa atenção e paciência. MOURO
MARROCOS 1997
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