RSS

B– 1995 O MEU COMEÇO

1995 eis-me em Marrocos pela primeira vez, fascinado e tocado pela  beleza e simplicidade de um  povo, pela magnifica moldura de diferentes paisagens, totalmente rendido a este mundo novo para mim, será talvez difícil de entender para a maioria das pessoas, que quem vivência tudo isto de um modo tão profundo, sabe que nada voltará a ser como antes, daí permitir-me amar este país e voltar todos os anos. Quando este sonho se concretizou, percebi ao primeiro dia, o modo mais rápido de me integrar e vivenciar esta fabulosa experiência, fez-se necessário despir-me dos conceitos de vida europeus, libertando-me assim espaço para vivenciar tudo numa entrega total, sem que fosse  limitado por falsas ideias, percebi que muitos dos papões que povoam a nossa mente é em parte devido á grande ignorância sobre o mundo árabe. Esse fosso que nos separa, faz com que muitas das vezes se perca uma experiência que vai muito para além do sorriso, mas que uma vez ultrapassado entramos por um espaço físico onde existe algo de genuíno, uma hospitalidade que na Europa há muito se perdeu. A amabilidade e a hospitalidade chegam ao ponto de serem constrangedoras , são requisitos que dispensam a toda a gente, independentemente do estrato social de cada um, tudo para  mais tarde serem recordados por estranhos, que os esquecerão passadas poucas horas mas que jamais serão esquecidos, apesar de cruzarem as suas vidas por breves momentos. Podem lá voltar passados 5 /6 /7 ou mais anos e constatar  desta verdade, sentir como é grato para ambas as partes, o reencontro de amigos de “longa data”,merecedores dos mesmos convites feitos um dia no passado.  Haverá quem jamais compreenderá, perdendo desse modo uma ocasião e experiência única, de grande riqueza cultural, esquecendo que a acção daquele que dá do que não precisa, não tem o mesmo valor, daquele que dá tudo o que tem, crescendo assim o seu valor para mim ou para todos os verdadeiros viajantes, não esquecendo o que eles chamam de miséria, eu chamo pobreza, o que eles chama de riqueza eu chamo de verdadeira  miséria. A ignorância é e será sempre o motivo destas situações, neste tipo de expedição invulgar, quem dela participa tem por norma estudar um pouco sobre o país e seus costumes, eu mesmo durante uma expedição transporto comigo no jipe, alguns bons livros para  quem quiser inteirar-se sobre “tudo” de um modo um pouco mais oficial , ficando assim mais receptível a tudo e a todos, deixando de lado quaisquer expectativas, para assim aceitar de modo gratificante uma realidade que não é a sua mas de outros, percebendo que é um convidado como tal aceitando tudo o que chega, por isto e muito mais o meu grande amor pelo país e suas gentes que me enriqueceram como Ser humano, sinto que se fosse de outro modo seria uma profanação .

MOURO

 

Os comentários estão fechados.

 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.